"Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra paz aos homens por ele amados!” (Lc 2,14)
SÃO JOÃO DA CRUZ

CANTOR DA NOITE E DA LUZ
Frei Patrício Sciadini, ocd

São João Evangelista diz: “Deus é luz!” Um outro João, o da Cruz, místico, contemplativo e buscador de Deus, diz: “Deus é noite!” Os dois nos comunicam na verdade o mistério mais profundo de Deus, luz e trevas que se encontram não em Deus mas na experiência humana, que é feita de altos e baixos, de noite tenebrosa e de luzes, e que tenta nos guiar a tanta beleza de Deus.

João da Cruz é o único místico que, primeiro, escreve seus poemas em momentos de solidão profunda e de sofrimento, como quando se encontra marginalizado no cárcere de Toledo, e depois, livre e sedento de ensinar aos outros o caminho que leva a Deus, vai explicando as sublimes poesias cheias de ternura e de mistério. João da Cruz é espanhol, nasce num período em que a Igreja se debate entre o relaxamento e a busca de um novo estilo de vida, onde o mistério de Deus seja o centro.

Vive uma trajetória de sofrimento, contradições e luta, sem buscar a auto-projeção, mas sempre ensina com firmeza que, para se chegar a possuir Deus, é necessário deixar tudo. E que é necessário se desfazer de todos os apetites e gostos humanos para ter o único gosto que é Jesus Cristo. Encontra em sua vida uma mulher firme e forte, que, com mão materna e guia sábia, o faz entrar no projeto de renovação da Ordem do Carmelo, Teresa de Ávila, a mestra e mãe, que sabe como cuidar do “Senequita”, seu sábio João, para que as dificuldades e as perseguições não o desanimem.

Acompanhar a aventura humana e mística de João da Cruz não é nada fácil, mas vale a pena deixar-se tomar por ele pela mão e seguir seus passos. Ele sabe o caminho ideal e sabe com sábia coragem ajudar-nos a subir a montanha do Carmelo, em cujo cimo só existe a honra e a glória de Deus. João da Cruz não tem medo de dizer que aquele que encontra de verdade a Deus não necessita mais de lei e de normas, porque Deus está nele e é sua única norma e vida.
Em uma noite escura,
De amor em vivas ânsias inflamadas,
Oh! ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Já minha casa estando sossegada. (Noite 1)

João da Cruz, por causa de sua firmeza em seguir Jesus Cristo crucificado e amado, enfrenta as dificuldades do dia-a-dia, sente-se sozinho às vezes e perseguido, mas não volta atrás em seu ideal. Por isso, afirma: “Deus é noite e coloca na noite os que ele ama e os que quer levar à saborosa contemplação das coisas celestes”. Uma noite feliz, venturosa, não povoada de medos e de fantasmas, mas de tênue luz, que é a fé que vai brilhando diante de nós e ilumina nosso caminho na noite, nos recorda o mestre João da Cruz. Não se caminha porque poderemos errar o caminho, nem se anda porque bateremos a cabeça; na noite é preciso ficarmos parados, silenciosos, até que a luz do dia volte a brilhar para nós. Os escritos de João da Cruz, Subida do Monte Carmelo e Noite Escura, que podem apavorar os desprovidos, são na verdade exercícios e treino necessário para ultrapassar os limites do medo e entrar na alegria da paz e do amor.
Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo fugiste,
Havendo me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido.(Cântico 1)

Saindo da noite, peregrinando na busca de Deus, sentimos sua ausência, mas vamos buscando e correndo atrás dele. A obra Cântico Espiritual, de João da Cruz, é uma das mais belas “fugas místicas”, onde amado e amada se procuram e correm um atrás do outro. É uma linda sinfonia de amor e de busca. Chega, sim, o momento do encontro amoroso, onde os amados se encontram e se fundem num único amor.
Gozemo nos, Amado!
Vamo nos ver em tua formosura,
No monte e na colina,
Onde brota a água pura;
Entremos mais adentro na espessura. (Cântico 36)

João da Cruz sabe que nós nos amamos com o mesmo amor com que Deus ama a si mesmo. Nossa finalidade não é permanecer rodeando o castelo onde está o Senhor, ou ficar na porta da adega interior onde está a verdadeira bebida que “inebria os corações”. Experiência não é ficar como expectadores, mas entrar de verdade no caminho do amor que o mesmo Senhor nos oferece. O Cântico Espiritual de João da Cruz, uma longa paráfrase do Cântico dos Cânticos, da Bíblia, o livro considerado pela espiritualidade hebraica “santíssimo e que não suja nem as mãos, nem o coração”, é considerado a obra-prima da mística do caminho de João da Cruz.
“Oh! Chama de amor viva
que ternamente feres
De minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro. (Chama 1)

A obra maravilhosa de João da Cruz é Chama Viva de Amor, canções poéticas e místicas que contêm sementes de divino. Sentimo-nos, em sua leitura, inebriados. Descobrimos que o Espírito Santo habita no mais profundo centro de nós mesmos, e de dentro nos ilumina. Descobrimos que o Espírito Santo é “inquieto procurando a quem amar”. A Chama Viva de Amor, de João da Cruz, nos torna sensíveis a tudo o que é belo, ao amor, ternura e delicadeza. O amor humano sem ternura é paixão devastadora, e o amor divino sem ternura é falsa mística. Poderíamos sintetizar a mística do caminho de João da Cruz com um pequeno poema dele, chamado Suma da Perfeição.
Olvido do criado.
Memória do Criador.
Atenção ao interior
E estar amando o Amado.

A mística de João da Cruz não aliena, ela envolve e nos projeta na vida e nos obriga a sair de nós mesmos. Para encontrar a verdadeira felicidade é preciso encontrar-se consigo mesmo, com Deus e com os outros, para ter o sabor da liberdade.
Há um poema de João da Cruz que gostaria de colocar aqui: é a sua e nossa biografia. Com toque delicado, João da Cruz, no Pastorcito, nos apresenta quem somos nós e o que queremos.

Um Pastorinho, só, está penando,
Privado de prazer e de contento,
Posto na pastorinha o pensamento,
Seu peito de amor ferido, pranteando.

Não chora por tê-lo o amor chagado,
Que não lhe dói o ver-se assim dorido,
Embora o coração esteja ferido,
Mas chora por pensar que é olvidado.

Que só o pensar que está esquecido
Por sua bela pastora, é dor tamanha,
Que se deixa maltratar em terra estranha,
Seu peito por amor mui dolorido.

E disse o Pastorinho: Ai, desditado!
De quem do meu amor se faz ausente
E não quer gozar de mim presente!
Seu peito por amor tão magoado!

Passado tempo em árvore subido
Ali seus belos braços alargou,
E preso a eles o Pastor ali ficou,
Seu peito por amor mui dolorido. (Poesia 7)

João da Cruz exige uma leitura atenta, amorosa e repetitiva — pelo menos três vezes — para entrar em sua linguagem amorosa. Afinal, a linguagem do amor, só quem se decide a amar, pode conhecê-la.

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